Bolo Rei de Alfarroba e o Melhor Natal de Sempre


Num piscar de olhos chegamos a Dezembro, o último mês no calendário. O mês que traz aquela que é talvez a quadra mais festiva e celebrada pelos portugueses, o Natal! Durante anos senti e vivi o que era o Natal na sua verdadeira essência. Sou do tempo em que era o menino Jesus a trazer os presentes às crianças e não o Pai Natal. Havia uma conotação muito religiosa que era seguida à risca. Na noite da consoada era obrigatória a ida à missa do galo, que era celebrada à meia noite. A ceia era feita de bacalhau cozido com couves, tudo bem regado pelo azeite novo da temporada. Colocava o sapatinho debaixo da chaminé e esperava ansioso, noite dentro, pelos presentes. Deixava-me hipnotizar pelas luzinhas coloridas a piscar na árvore de natal. E havia sempre um presépio. Feito de musgo verdadeiro e com as figuras já desfiguradas pelo tempo e pelas brincadeiras. A casa cheirava a sonhos e a canela. E comiam-se as broas ou merendeiras de abóbora e batata doce. Haviam fatias de bolo rei, do tempo em que ainda havia a fava e o brinde. A família juntava-se toda à volta da mesa e as conversas duravam noite dentro. Hoje, pelo menos para mim, tudo é diferente. O Natal já não tem o significado de outrora, mas quer queiramos quer não, esta é uma quadra festiva que nos traz alguma alegria e nos aquece os corações.

É tempo de enfeitar a casa a preceito para receber familiares e amigos, de criar um ambiente acolhedor, de receber e abraçar quem mais gostamos e quem nos quer bem, de agradecer por todas as coisas boas e pelas pessoas queridas que nos rodeiam. Todos os pormenores contam e por toda a casa colocamos um ou outro enfeite de Natal. Trocamos presentes e delineamos todos os pormenores para a mesa da consoada. Queremos que haja magia no ar e planeamos O Melhor Natal de Sempre! E para ajudar nessa tarefa existem as lojas DeBorla que nos levam a conhecer a inquestionável e maravilhosa magia do Natal!


Convido-vos a visualizar o catálogo d'O Melhor Natal de Sempre das lojas DeBorla, no qual podem encontrar três deslumbrantes coleções que vêm cheias de doçura, brilho e harmonia e que irão facilitar as nossas vidas na hora de escolher aquele presente especial para oferecer a alguém que gostamos ou quando queremos aquele objecto que vai fazer diferença na decoração da casa ou ainda quando procuramos uma árvore de natal ou um presépio que representa a simplicidade e o amor. Ali facilmente encontramos o que queremos e qualquer sonho é possível. Na acelerada era digital em que vivemos, a necessidade de reencontro com os valores mais tradicionais e com as nossas origens é fundamental. O Melhor Natal de Sempre deixa a promessa de um regresso feliz à infância onde toda a magia acontece! Eu não resisti e trouxe comigo todos os elementos natalícios que encontram nas imagens seguintes. Desde o castiçal Gold Leaves que é lindíssimo, o pendurante em forma de estrela, as pinhas douradas e até o ramo de bagas vermelhas. Mas o que me fascinou mesmo foi o prato de bolo com friso dourado que usei para servir o meu bolo rei.

No Natal, cá em casa nunca falta o bolo rei. É daqueles doces tradicionais que não dispenso. Posso passar o ano inteiro sem o comer, mas nesta altura sabe-me mesmo bem. Não resisti, por isso, a fazer o meu próprio bolo rei, com as minhas frutas preferidas e nas quantidades desejadas. Este é uma versão um pouco diferente do tradicional, uma vez que é de alfarroba. Sou apreciador do sabor da alfarroba e apesar de apreensivo em relação à textura do bolo, uma vez que a farinha de alfarroba tem tendência a deixar as massas mais secas, este bolo ficou com uma textura deliciosa e com um sabor maravilhoso. Uma receita que merece ficar registada e que certamente vai fazer parte da mesa de Natal deste ano. Atrevam-se a experimentar esta receita, garanto que é deliciosa!

Bolo Rei de Alfarroba

Ingredientes:
| 150 g de frutas cristalizadas
| 1 dl de vinho do Porto
| 20 g de fermento de padeiro fresco
| 1 dl de leite + 1 c. (sopa)
| 500 g de farinha de espelta branca s/ fermento
| 20 g de farinha de alfarroba
| 1 c. (chá) sal
| 100 g de manteiga                                        
| 100 g de açúcar amarelo
| 3 ovos + 1 gema
| raspa de 1 laranja
| raspa de 1 limão
| 250 g de mistura de frutos secos 
| açúcar em pó qb
| amêndoas laminadas qb

Notas:
  • A quantidade de frutas cristalizadas e frutos secos pode ser ajustada conforme o gosto pessoal de cada pessoa. Assim como a variedade de frutas usadas. No meu caso usei as quantidades indicadas e usei nozes, amêndoas, caju e figos secos.
  • Nesta receita usei farinha de espelta branca. Mas podem usar farinha de trigo normal ou outra a gosto. 
  • Podem usar fermento seco granulado, nesse caso recomendo usarem cerca de 7 g.
Preparação:
1 . Pique as frutas cristalizadas, tendo o cuidado de deixar algumas inteiras de parte para decorar o bolo. Coloque a fruta numa taça e cubra com o vinho do Porto, deixando a macerar durante alguns minutos.

2 . Numa taça dissolva o fermento de padeiro no leite morno e junte 1 chávena de farinha. Misture bem, tape com película aderente e deixe levedar num local quente durante 15 minutos.

3 . Noutra taça misture a restante farinha com a farinha de alfarroba e o sal e reserve.

4 . Na taça da batedeira, bata a manteiga com o açúcar durante alguns minutos. Adicione os três ovos, um de cada vez e continue a bater após cada adição.

5 . Adicione as raspas de laranja e limão e a mistura de fermento, entretanto já levedada. Junte também a mistura de farinhas e amasse bem à mão ou com o gancho da batedeira, durante alguns minutos e até a mistura ficar elástica e macia.

6 . Pique os frutos secos (reserve alguns para decorar o bolo) e junte-os à massa. Junte também a fruta macerada e escorrida e amasse mais um pouco para envolver. Forme uma bola, polvilhe com farinha, tape com um pano ou película aderente e deixe levedar durante 3 horas ou até que a massa dobre de volume.

7 . Transfira a massa para uma superfície enfarinhada, forme novamente uma bola e transfira-a para um tabuleiro de forno forrado com papel vegetal. Faça um buraco no centro e com as mãos vá alargando a massa formando uma rosca. 

8 . Pré-aqueça o forno a 180ºC. Bata a gema com 1 c. (sopa) de leite e pincele o bolo com esta mistura. Enfeite o bolo com as frutas cristalizadas e os frutos secos reservados. Coloque também o açúcar em pó e algumas amêndoas laminadas. Leve o bolo rei ao forno durante 30-35 minutos. Retire do forno, deixe arrefecer e sirva.

Bolo de Maçã e Canela


Às vezes surge aquele desejo enorme de ligar o forno a meio da semana para fazer um bolo. Contrariamos a vontade e fazemos figas para que o fim de semana chegue depressa e, finalmente, passamos à prática e metemos as mãos na massa. Pior é quando esse desejo surge, duas e três vezes e a vontade é tanta que não aguentamos e cedemos à tentação. Mas para agravar ainda mais a situação, existem aqueles seres iluminados que parece terem o dom de ler os nossos pensamentos e partilham nas redes sociais o bolo que andamos à procura. Quando damos por nós, já estamos a abrir armários, a reunir os ingredientes e aquilo que era desejo passa a ser realidade.

Aconteceu no decorrer desta semana, quando a Filipa Gomes partilhou na sua conta do Instagram este bolo de maçã e canela que parecia ser a coisa mais deliciosa do mundo. O aspecto era mesmo muito bom e ela apregoava ser "o único bolo de maçã cuja receita vocês precisam de ter colada no frigorífico".  Não esperei mais e meti literalmente as mãos na massa. Não precisei de colar a receita no frigorífico mas o bolo fica tão bom que resolvi fotografar e registar a receita aqui no blog para não mais a esquecer. Um bolinho simples, mas fofo e tão perfeito que fica com uma textura húmida, carregado de maçã e ainda por cima tão fácil de fazer. Se estiverem a pensar fazer um bolo neste fim de semana, não procurem mais, acreditem, este é o bolo que vocês querem.


Bolo de Maçã e Canela
(receita da Filipa Gomes)

Ingredientes:
| 5 maçãs médias
| 3 ovos
| 1 + 1/4 chávena de açúcar 
| 3/4 chávena de óleo
| 1 + 1/2 chávena de farinha
| 1 c. (chá) de fermento
| 1 c. (chá) de canela
| 1 pitada de sal

NOTAS: 
  • a chávena medidora tem uma capacidade de 240 ml.
  • não existe a necessidade de regar a maçã com sumo de limão, pois a receita é rápida de fazer.
  • eu usei metade de acúcar amarelo e metade de açúcar mascavado escuro e polvilhei o bolo com açúcar amarelo, antes de ir ao forno.


Preparação:
1 . Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte com manteiga e forre com papel vegetal um tabuleiro com 20 x 30 cm (também pode usar uma forma redonda com 25-30cm de diâmetro).

2 . Descasque as maçãs, remova os caroços, corte em cubos (com 1cm máximo) e reserve.

3 . Numa taça, à parte, junte os ovos, o açúcar e o óleo e bata até ficar homogéneo. Adicione a farinha, o fermento, a canela e o sal e envolva só até ficar homogéneo. Junte as maças e volte a envolver.

4 . Verta a massa na forma, polvilhe com açúcar e leve ao forno cerca de 40-45 minutos ou até o palito sair limpo.

Polenta Cremosa com Espinafres e Cogumelos Salteados


São planícies a perder de vista que começam junto ao Tejo. E se o verde dos sobreiros e das oliveiras é a cor predominante mais a norte, quando nos dirigimos para sul as cores assumem outras tonalidades. O dourado das searas combina com longos dias de sol. Assim é o nosso Alentejo! Uma das regiões mais lindas de Portugal, terra de paixões, de boa gente que ama e respeita a Natureza e o que a terra dá. É também região de forte tradição na cultura da vinha e do olival, onde são produzidos alguns dos melhores vinhos e azeites do nosso país.

Recentemente andei a passear pelo Alentejo, mais precisamente na região de Elvas e Campo Maior. É ali, por entre longos hectares de vinhedo a fazer fronteira com a vizinha Espanha, que está localizada a Adega Mayor. Construída por Siza Vieira e de uma arquitectura única em Portugal, ergue-se como um manto branco por entre as longas fileiras de vinhas, agora ainda mais bonitas, pintadas em tons de verde e dourado. Tive o prazer de visitar a adega e assim ficar a conhecer toda a história que a envolve assim como a arte movida pelas pessoas que ali trabalham. Fiquei a saber como se faz o vinho, desde que as uvas são colhidas ainda de forma artesanal, durante as vindimas, passando pelo período de transformação e estágio do vinho até ao momento em que as garrafas do néctar dos deuses chegam às nossas mesas. Na adega somos muito bem recebidos e deixamo-nos levar pelos sentidos que se abrem à imaginação, às palavras e ao momento de saborear um bom vinho.


O vinho faz parte da nossa cultura desde sempre e é hoje, orgulhosamente, uma das imagens de marca do nosso país. Muitos dos nossos melhores momentos são construídos à volta de uma garrafa de vinho.  Sempre que abrimos uma garrafa de vinho abrimos um mundo de possibilidades. Abrimos conversas e abrimos desabafos. Abrimos a alma e o coração. Partilhamos e criamos memórias felizes entre amigos, contam-se histórias, abrem-se os sentidos às palavras e às emoções e sempre com um belo petisco por perto. E foi a pensar nestes momentos de descontracção que trouxe comigo uma garrafa de vinho Adega Mayor Sercial, uma das monocastas da Adega Mayor. Este é o vinho ideal para acompanhar o prato de Polenta Cremosa que vos trago hoje. Este é um prato que conforta a alma, que combina com dias frios e cinzentos e que é perfeito para acompanhar com a frescura deste vinho de personalidade intensa mas muito versátil e que certamente nos abrirá os sentidos.


Polenta Cremosa com Cogumelos Salteados

Ingredientes:
| 1 chávena de sêmola de milho
| 3 chávenas de água
| 2 c. (sopa) de azeite
| 4 chalotas
| 1 dente de alho picado
| 400 g de mistura de cogumelos Marron e Shimeji           
| sal e pimenta
| 1 c. (chá) de tomilho
| 2. c. (sopa) de vinagre balsâmico
| 50 g de manteiga
| 1/2 chávena de queijo Parmesão ralado
| 100 g de espinafres 
| rebentos verdes q.b.

Preparação:
1 . Leve um tacho ao lume com a água temperada com sal e deixe que ferva. Assim que levantar fervura adicione de uma vez só a sêmola de milho e mexa energicamente com uma vara de arames. Baixe o lume para o mínimo e deixe cozinhar por cerca de 15 minutos.

2 . Entretanto leve uma frigideira ao lume com o azeite e as chalotas cortadas em quartos. Junte o dente de alho picado e salteie durante alguns minutos até as chalotas dourarem. Adicione os cogumelos laminados, tempere com sal e pimenta, junte o tomilho e salteie até que os cogumelos fiquem dourados e todo o liquido tenha evaporado. Junte o vinagre balsâmico, envolva e cozinhe mais dois minutos.

3 . Quando a polenta estiver cozinhada junte a manteiga e o queijo Parmesão e envolva para que fique cremosa. Desligue o lume, adicione os espinafres e envolva até que murchem.

4. Sirva a polenta com os cogumelos salteados, folhas de espinafre e rebentos verdes.

Mousse de Castanha e Requeijão


A hora mudou, os dias parecem agora muito mais pequenos, a chuva teima em ficar, as temperaturas baixaram consideravelmente, e eu não gosto nada disto. Chegar a casa e já ter anoitecido é para mim uma espécie de tortura. Sinto a falta de luz, da minha luz, dos finais de tarde quentes e em cor de fogo. Com alguma resignação lá vou tirando as camisolas do armário, as botas e os casacos tornam-se indispensáveis e dou por mim a pensar que faltam poucos dias para o Natal. Como?! Como é possível o tempo ter passado assim tão depressa?! 

Deixo-me levar pelo espírito da estação e das coisas boas que o Outono tem para oferecer. As abóboras abundam e vão chegando cá a casa e aos poucos vão sendo transformadas em doces e compotas. Já vai sendo um hábito e a última que fiz foi com nozes e fava tonka. Adoro o sabor baunilhado desta semente. Aos poucos vou preparando o Natal com pequenos presentes feitos em casa, aqueles que para mim têm mais valor. Também vou matando saudades dos diospiros, ao natural, abertos em quartos e polvilhados de canela. Pequenos prazeres que me deixam tão feliz. E os marmelos, assados ou cozidos e conservados para degustar mais tarde. Experimentem comer uma metade de marmelo cozido com especiarias, acompanhado de uma bola de gelado. Uma vez mais, as coisas simples são sempre as melhores e não há como resistir aos sabores da estação.


Um dos meus frutos preferidos nesta altura do ano são as castanhas. Com a chegada do frio chega também a vontade de comer castanhas. É tempo delas e o seu cheiro inconfundível faz-se sentir nas ruas dos grandes centros. Novembro é o mês delas e por todo o lado são organizados os magustos e é celebrado o São Martinho. A efeméride assinala-se já no próximo domingo e segundo o ditado popular "pelo São Martinho, castanhas assadas, pão e vinho", o que quer dizer que é chegada a altura de festejar entre amigos e família e de provar os vinhos novos, produzidos a partir das últimas colheitas. Dizem que por esta altura o tempo melhora e o sol aparece, tal como sucedeu na lenda de São Martinho.

Mas voltando às castanhas, gosto delas simples, assadas com sal, de preferência numa lareira aberta. Ou cozidas com erva doce. Mas também costumo usar castanhas nos cremes e sopas. Estou a lembrar-me de uma sopa super aveludada que costumo fazer nesta altura, de castanhas e cogumelos. Também costumo misturar com batata doce assada no forno e um raminho de alecrim a acompanhar pratos de carne. Mas onde gosto mesmo do sabor da castanha é nas sobremesas. Fico com água na boca quando penso neste Tiramisù com Creme de Castanha. O mesmo creme que usei para fazer esta mousse de castanha, bastante leve e cremosa, não muito doce e perfumada pelo sabor suave da baunilha. O melhor de tudo é que é feita com apenas cinco ingredientes, sendo um deles o delicioso Requeijão de Vaca Tété que por ser macio e apresentar um sabor suave, torna-o ideal para ser usado nesta sobremesa. Para conhecerem melhor este e outros produtos da marca Tété visitem o site, aqui ou sigam as páginas da marca nas redes sociais, Facebook e Instagram.


Mousse de Castanha e Requeijão

Ingredientes:
| 350 g de creme de castanha e baunilha *
| 1 folha de gelatina                                                   
| 200 ml de natas para bater
| cacau em pó

NOTAS:

  • O creme de castanha e baunilha que uso é da marca Bonne Maman e existe à venda nos supermercados na secção dos doces e compotas. Existem outras marcas noutros supermercados como o Lidl e o E.Leclerc.
  • Por ser um creme que já contém açúcar adicionado, esta sobremesa não necessita de mais açúcar.
  • Se possível preparem a mousse de véspera e deixem refrigerar durante a noite.
Preparação:
1 . Coloque a folha de gelatina numa taça com água durante alguns minutos para hidratar.

2 . Coloque um tachinho com o creme de castanha em lume baixo e aqueça, sem deixar ferver. Junte a folha de gelatina escorrida e mexa até esta se dissolver no creme.

3 . Triture o requeijão num processador ou robot de cozinha até ficar bem cremoso e macio. Junte ao creme de castanha e misture com uma espátula.

4 . Bata as natas até que fiquem bem firmes. Incorpore a mistura de creme de castanha e requeijão nas natas, envolvendo com uma espátula em movimentos suaves.

5 . Distribua a mousse por tacinhas e leve a refrigerar durante pelo menos 4 horas. Na hora de servir polvilhe com cacau em pó.