Crepes de Limão e Sementes de Papoila com Curd de Amora


E finalmente chegaram as férias! Começámos com uns dias encantadores e mágicos, em contacto constante com a natureza, na lindíssima ilha de São Miguel, nos Açores. Uma viagem quase inesperada mas que ficará guardada para sempre na minha memória. Já partilhei alguns desses momentos no Instagram, onde me poderão acompanhar durante as férias, mas prometo que falarei sobre essa viagem, mais tarde e num outro post. Este foi um verão longo e intenso, cheio de dias preenchidos, com muito sol e temperaturas altas. Dias de algum trabalho mas também foram dias que deram para descontrair e aproveitar muito bem todos os tempos livres. Dias que deram para matar saudades da família e de alguns amigos e que proporcionaram muitos momentos de lazer que foram vividos intensamente. Chegou setembro, o meu mês preferido que traz com ele na bagagem estes dias lindos, os últimos do verão. Dias encantadores com temperaturas amenas, nos quais nos apercebemos que o verão se vai despedindo lentamente e o outono já vai pedindo para entrar. Manhãs frescas que convidam a um passeio à beira mar mas não sem antes tomar um delicioso e demorado pequeno almoço. Sentir os pés na areia molhada e mergulhar na água salgada do mar. Comer o que de melhor a terra e o mar têm para nos oferecer. Voltar aos sítios que nos fazem sempre felizes. Passear sem horários e aproveitar os fins de tarde numa esplanada a contemplar o por-do-sol. Assim serão os planos para os próximos dias.


Com o verão a despedir-se é chegada também a altura de colher os últimos frutos da estação. Os tomates que estão agora no seu auge de sabor e que irei congelar para usar mais tarde, em molhos, sopas e compotas. Os figos que adoro comer ao natural e aos quais não consigo resistir. As deliciosas ameixas que gosto de usar em crumbles e tartes e claro, as perfumadas amoras silvestres que tanto gosto de colher em grandes quantidades e que uso tanto para fazer scones, gelados ou tartes. A maior parte delas são lavadas e congeladas, para poder preservar o seu sabor por mais tempo durante a estação fria. Mas algumas não resisto a comer ao natural ou usar enquanto ainda estão frescas, seja para fazer estes irresistíveis Quadrados de Maçã e Amora ou para um delicioso curd de amora, como o que apresento nesta receita a acompanhar uns crepes de limão e sementes de papoila. Não tenho palavras para descrever estes crepes maravilhosos, que tanto podem ser servidos ao pequeno almoço como ao lanche. Mas acreditem que o curd de amora faz toda a diferença nesta composição de sabores. Experimentem, mas não hesitem em juntar uma generosa bola de gelado de baunilha. 


Crepes de Limão e Sementes de Papoila com Curd de Amora
(receita adaptada do blog A Cozy Kitchen)

Ingredientes:
{para os crepes}
| 3 c. (sopa) de manteiga
| 2 ovos
| 250 ml de leite
| 50 ml de água
| 200 g de farinha s/ fermento
| 2 c. (sopa) de açúcar
| 1 pitada de sal
| 1 c. (sopa) de raspa de limão
| 50 g de sementes de papoila
| óleo q.b. (pode usar óleo de coco)
| amoras frescas q.b. para servir

{para o curd de amora}
| 3 ovos
| 90 g de açúcar amarelo
| 1 c. (sopa) de amido de milho
| 200 g de amoras
| 1 c. (sopa) de sumo de limão
| 85 g de manteiga

Preparação:
Comece por preparar o curd de amora, colocando numa taça os ovos, o açúcar e o amido de milho. Bata até obter uma mistura lisa e homogénea.
Transfira a mistura para um tacho, junte as amoras e o sumo de limão e leve a lume médio, mexendo sempre, até começar a ferver e a ficar espesso. Junte a manteiga e mexa energicamente.
Retire do lume e coloque o preparado num liquidificador ou use a varinha mágica e triture por forma a obter um creme o mais liso possível.
Deixe arrefecer e guarde no frigorífico até usar ou coloque num frasco hermético para usar mais tarde.
Prepare os crepes, derretendo a manteiga no microondas e deixe arrefecer à temperatura ambiente.
Coloque a manteiga derretida numa taça juntamente com os ovos, o leite e a água e bata com uma vara de arames ou usando a batedeira eléctrica.
Junte a farinha, o açúcar, o sal e a raspa de limão e bata mais um pouco até obter uma mistura homogénea.
Adicione as sementes de papoila e envolva.
Leve uma frigideira a lume brando com um fio de óleo (pode usar óleo de coco). Aqueça ligeiramente e com uma colher ou concha de sopa espalhe uma generosa quantidade de massa, garantindo que a massa preenche toda a frigideira de modo a obter um crepe uniforme.
Repita a operação até terminar a massa.
Sirva os crepes com o curd de amora, uma bola de gelado e algumas amoras frescas.

Bolo Gelado de Amoras Silvestres e o catálogo Kasa


Finalmente Setembro, um mês de regressos, mudanças e recomeços! O meu mês preferido de sempre. Por esta altura a maioria das pessoas já regressou de férias e estão a voltar ao trabalho. Traçamos novos planos, novos objectivos, organizamos ideias, é o recomeçar de um novo ciclo. Os miúdos voltam à escola para o recomeço um novo ano lectivo, aprendem novas matérias e fazem novas amizades. Já em criança adorava esta altura do ano, a expectativa de conhecer uma turma nova, o cheiro dos livros novos acabados de comprar, a mochila, os cadernos e toda uma nova aprendizagem, deixavam-me a mim e a qualquer criança em êxtase.

O tempo também começa a mudar, os dias já estão mais pequenos, as temperaturas mais amenas e as noites bem mais frescas. Mas ainda há tanto verão para aproveitar! As praias, agora mais vazias e silenciosas, dão-nos tranquilidade e são o lugar perfeito para carregar baterias e dar um mergulho ao final do dia. É por isso que eu escolho sempre este mês para ir de férias. Longe das grandes confusões e enchentes de agosto, agora com temperaturas mais baixas e o sol a pôr-se mais cedo. Mas por outro lado, são dias ainda quentes e luminosos o suficiente para nos permitirem estar mais tempo na areia e aproveitar ao máximo a água salgada do mar.


Setembro é um virar de página, não só para nós que traçamos planos a nível pessoal mas também para as marcas e as empresas, que se reinventam e lançam novos artigos, sempre a acompanhar as novas tendências e com o objectivo de ir ao encontro de satisfazer as necessidades dos clientes. Isto acontece em todas as áreas, mas sobretudo na área da decoração e casa, que com o aproximar de uma nova estação, apresentam artigos irresistíveis com novas cores e padrões. É o caso da marca Kasa,  a marca de decoração que podemos encontrar à venda exclusivamente nos super e hipermercados Continente, que acaba de lançar o seu novo catálogo. Tive o privilégio de assistir ontem ao final da tarde ao lançamento deste catálogo e pude confirmar "in loco" alguns dos novos artigos que, para além de funcionais e práticos são actuais e versáteis (podem ver aqui algumas imagens do evento). Desde a cozinha ao quarto, sem esquecer a casa de banho, todas as divisões ganham uma nova vida com as colecções exclusivas desta marca que se inspira naquilo que de melhor se faz a nível internacional e acompanha sempre as preferências e tipologias das casas dos portugueses. 

Quem me conhece sabe o quanto eu adoro loiças e utensílios de cozinha. E como não poderia deixar de ser, esta foi a categoria que mais me saltou à vista. Estão a ver aqueles pratinhos em padrão azul, a fazer lembrar os azulejos tradicionais portugueses, ali na capa do catálogo?! Pois, estou em êxtase e mal posso esperar para lhes pôr a mão em cima. É difícil resistir e ao folhear o catálogo já fiquei embeiçado por mais uns quantos produtos. Prometo que à medida que os utilizar nas minhas receitas assim vos falarei deles noutros posts. Porque de facto é importante que hajam marcas como a Kasa que nos disponibilizem artigos exclusivos e atractivos, com qualidade, a grande maioria fabricados em Portugal e sobretudo a um preço muito simpático.


Para celebrar este mês de setembro, com o verão ainda a dar tréguas, trago uma receita bem fresca e deliciosa para aproveitar as lindas amoras silvestres que eu tanto adoro. Todos os anos o ritual de ir apanhar amoras nas silvas se repete e é algo que me dá algum prazer. Sujar as mãos com aquela cor púrpura e trazer alguns arranhões para casa, mas também alguns quilos daquele fruto perfumado e típico do verão. Algumas como ao natural, a maioria congelo para usar mais tarde, mas outras uso de imediato para fazer estes scones, numa limonada ou para fazer curd de amora que pode ter várias utilizações. Como é o caso deste delicioso e tentador bolo gelado de amoras silvestres que leva na sua composição uma camada de curd de amora. Com uma base crocante de frutos secos adoçados com tâmaras, esta é a sobremesa perfeita para partilhar em família

(cake stand by Coco & Baunilha)

Bolo Gelado de Amoras Silvestres
Ingredientes:
{para o gelado}
| 150 g de frutos secos (usei noz, caju, avelã e amêndoa)
| 50 g de sementes de girassol
| 40 g de floco de aveia
| 6 tâmaras s/ caroço
| 2 c. (sopa) de mel
| 1 chávena de Curd de Amora*
| 200 ml de natas
| 2 c. (sopa) de açúcar
| 1 iogurte natural
| 100 g de amoras silvestres + q.b.para decorar

*{para o curd de amora}
| 3 ovos
| 90 g de açúcar amarelo
| 1 c. (sopa) de amido de milho
| 200 g de amoras
| 1 c. (sopa) de sumo de limão
| 85 g de manteiga

Preparação do Curd de Amora:
Numa taça bata os ovos com o açúcar e o amido de milho, até obter uma mistura lisa e homogénea.
Transfira a mistura para um tacho, junte as amoras e a raspa de limão e leve a lume médio, mexendo sempre, até começar a ferver e a ficar espesso. Junte a manteiga e mexa energicamente.
Retire do lume e coloque o preparado num liquidificador ou use a varinha mágica e triture por forma a obter um creme o mais liso possível.
Deixe arrefecer e guarde no frigorífico até usar ou coloque num frasco hermético para usar mais tarde.

Preparação do Bolo Gelado:
Forre com papel vegetal uma forma com 20 cm e reserve.
Coloque os frutos secos num robot ou liquidificador, juntamente com as sementes de girassol, as tâmaras e os flocos de aveia. Adicione o mel e triture durante alguns segundos.
Coloque os frutos secos triturados no fundo da forma, formando uma primeira camada e fazendo pressão com os dedos ou com as costas de uma colher de sopa.
Faça um segunda camada, espalhando o curd de amora sobre os frutos secos e alisando com uma colher.
Bata as natas até que adquiram a consistência de chantilly, junte o açúcar e bata mais um pouco.
Envolva delicadamente com uma espátula o iogurte natural nas natas.
Esmague as amoras com um garfo e adicione colheradas de amora à mistura de natas e iogurte.
Com uma colher faça um efeito swirl, mas sem misturar demasiado.
Verta esta mistura sobre o curd de amora e alise a superfície com uma espátula.
Leve ao congelador durante pelo menos 4 horas ou de preferência, de um dia para o outro.
Retire do frio, desenforme e decore a gosto com amoras.

Limonada de Morango com Mel e Hortelã


Para aproveitar os últimos morangos da estação, os mais docinhos por sinal, preparei uma deliciosa limonada de morango que adocei com mel e aromatizei com hortelã. Com umas pedras de gelo a acompanhar, sabe tão bem uma bebida como esta para refrescar nestes dias quentes de verão! Uma receita que acompanho com o artigo do mês de agosto que escrevi para o site Alegro. Um texto dedicado a um ingrediente que adoro, o mel e cujo conteúdo podem ver na íntegra aqui.

Mel: Um Alimento Essencial Para a Saúde

Desde sempre que me lembro de gostar de mel. Ainda pequeno, fui habituado a ver o meu avô a tratar das suas abelhas. E ainda que não fosse um apicultor profissional, ele dominava a técnica como ninguém. Lembro-me tão bem de ele envergar o fato branco, já sujo e gasto de tanto ser usado, e afoito lá ia tratar das suas rainhas, borrifando as colmeias com um líquido escuro e pegajoso que, dizia ele, servia para atrair mais abelhas. Estas zumbiam melancolicamente numa dança interminável em seu redor enquanto ele extraia os favos dourados que se encontravam cheios daquele néctar brilhante. Fazia sempre questão de colocar um pedaço de favo num prato pequeno, dando-me a provar. Eu, feliz da vida, deliciava-me a retirar o mel dos favos com uma colher e a comê-lo com deleite, qual criança inocente que come uma guloseima, ainda desconhecendo todos os benefícios que o mel tem para a saúde.

Os anos passaram e hoje em dia, mais consciente do poder benéfico que o mel pode ter na saúde, este ingrediente continua a fazer parte da minha dieta alimentar e está sempre presente na minha despensa. Uso-o para vários fins, mas é sobretudo na alimentação que é mais requisitado. Seja para adoçar um chá, para usar num bolo mais saudável em substituição do açúcar, para fazer um molho que irá temperar uma salada ou mesmo para caramelizar frutos secos ou até na carne assada no forno, o mel, por si só ou quando combinado com outros ingredientes, torna-se em algo indispensável e muito interessante.


Fruto do trabalho diário e árduo das abelhas, este produto natural é obtido a partir do néctar que elas recolhem das flores, que posteriormente armazenam em favos e que mais tarde irá servir de alimento. No entanto a produção de mel é três vezes superior àquela que estes insetos necessitam para sobreviver, pelo que é perfeitamente legítimo o uso de colmeias artificiais para produção e extração deste alimento.

Considerado por muitos como um alimento sagrado, talvez devido à sua grande concentração de proteínas e sais minerais, como o potássio e magnésio, para além de ser usado a maior parte das vezes como um adoçante natural também desempenha um papel importante quando usado como anti-séptico, ajudando a cicatrizar feridas e a prevenir infeções. Este é um alimento cheio de propriedades terapêuticas que não deverão de forma nenhuma ser ignoradas e quando ingerido e usado de forma moderada e consciente, poderá trazer imensos benefícios para a saúde, tais como:

·        ajuda no combate da fadiga e stress
·        fortalece o sistema imunitário
·        melhora a capacidade digestiva
·        alivia a prisão de ventre, fortalecendo a flora intestinal
·        é um anti séptico natural que ajuda na cicatrização da pele
·        previne gripes e constipações
·        é antioxidante
·        anti-reumático e diurético

No entanto, e porque tudo tem um peso e uma medida, o mel possui um elevado teor de açúcares simples que são rapidamente absorvidos pelo organismo, pelo que é considerado um alimento calórico, devendo assim ser consumido com moderação e evitado por quem segue uma dieta rigorosa. Também não é aconselhado a crianças pequenas, até aos três anos de idade, pois poderá trazer complicações ao nível intestinal.

Por ser considerado um alimento saudável e se tratar de um produto natural, deverá fazer parte da nossa alimentação diária. Contudo o seu consumo deverá ser feito de forma consciente, moderada e sempre que possível como substituto do açúcar. Estamos em pleno verão e o que mais apetece nestes dias quentes para ajudar a combater o calor excessivo, são as bebidas frescas como os chás e as limonadas que podem perfeitamente ser adoçadas com mel. Trago como sugestão uma receita simples de uma limonada onde dou uso a este ingrediente milagroso.


Limonada de Morango com Mel e Hortelã

Ingredientes:
| 4 limões + q.b. para servir
| 4 c. (sopa) de mel
| 1 litro de água mineral
| 4-5 morangos biológicos
| folhas de hortelã
| pedras de gelo q.b.

Preparação:
Esprema o sumo dos limões para um tacho.
Junte o mel e leve ao lume brando, mexendo de vez em quando até começar a ferver.
Desligue o lume e deixe arrefecer.
Adicione 1 litro de água, coloque o preparado num liquidificador juntamente com os morangos e triture durante alguns segundos.
Coe a limonada para dentro de um jarro, junte algumas folhas de hortelã e leve ao frigorífico atá à hora de servir.  Sirva em copos ou frascos com gelo, rodelas de limão e folhas de hortelã.

Bolo de Cenoura e Pêssego

(cake stand by Coco & Baunilha)

Foi num dia quente de Agosto há 20 anos atrás, lembro-me tão bem como se fosse hoje. Ela varria o pátio ao lado da casa, limpava as folhas dos pessegueiros, que começavam a cair. O meu tio Manel, o seu irmão mais novo, aproximou-se de nós para se despedir. As férias de verão tinham chegado ao fim e em poucas horas ele partiria para mais um ano de trabalho, rumo a França. As lágrimas começaram a correr-lhe pelo rosto queimado do sol. Ela abraçou o seu irmão com força, em jeito de despedida e como que adivinhando que aquele poderia ser o último abraço. Com a voz trémula e em soluços confessou "tenho cancro". E a partir daquele momento a minha mãe nunca mais foi a mesma pessoa. Aquela mulher que eu estava habituado a ver todos os dias com um sorriso nos lábios, que trabalhava arduamente na terra, desde o nascer ao por-do-sol e que ao fim do dia ainda chegava a casa e preparava o jantar para mim e para o meu pai. A mulher de que todos gostavam, que cuidou sozinha dos meus avós até eles partirem, que via sempre o lado positivo dos problemas e que tinha sempre uma solução para tudo. A partir daquele momento ela começou uma luta difícil que durou 16 meses. Não foi fácil, para nós e para ela que enfrentou tanto sofrimento e sentiu o veneno percorrer as suas veias. Ela que foi sujeita aos tratamentos agressivos da quimioterapia e que viu e sentiu o seu cabelo a cair, que teve de enfrentar duas cirurgias ao peito e que passou tantas noites mal dormidas. Pelo meio ainda houve uma grande recuperação e a esperança esteve sempre presente. Não tenho qualquer dúvida que, guerreira e batalhadora como ela era, deu todas as suas forças na luta contra a doença. Não ganhou a luta e acabou por se despedir.


Se fosse hoje tenho a certeza que seria diferente. Os conhecimentos são outros, a tecnologia avançou e os tratamentos já não são tão agressivos. A vida corria-lhe nas veias, tinha uma força e coragem enorme para enfrentar todos os problemas. Se fosse hoje, não tenho dúvidas que ela sairia vencedora. Ficam as boas memórias, ficam os bons princípios e os conhecimentos que ela me passou. E guardarei sempre o seu sorriso.

Isto tudo para dizer que não adianta andarmos de mal com a vida, não vale de nada criar conflitos e problemas. Criticar o que está mal e nada fazer para mudar isso. Devemos sim dar mais valor ao que temos, às pessoas queridas que nos rodeiam e às coisas simples da vida. Abraçar e sorrir mais. Devemos prestar mais atenção aos detalhes e temos de aprender a olhar sempre para o lado positivo, por mais que isso nos custe. Afinal de contas isto é apenas uma passagem e ninguém consegue saber em concreto por quanto tempo andará por cá. Por isso, o melhor mesmo é aproveitar cada momento e celebrar com amor esta coisa que é a vida.


E para celebrar e agradecer pelo facto de estarmos vivos, nada melhor que um bolo. Este com sabor a verão, com a melhor fruta da estação e saboreado fora de casa, ao ar livre e em jeito de piquenique. Depois de me ter chegado cá a casa um carregamento de cenouras, oferecido por um amigo, lembrei-me imediatamente deste bolo cuja combinação de sabores me deixou curioso. Cenoura e pêssego, à primeira vista pode parecer uma combinação estranha, mas é das melhores que já experimentei. Os pêssegos caramelizados são "a cereja no topo do bolo" que ligam tão bem com as amoras silvestres que acabam de chegar. Colhidas na hora, pelo que ainda souberam melhor! A textura, densa e perfumada pela baunilha e pela canela é algo que nos deixa a desejar mais uma fatia. Aproveitem o fim de semana, abracem quem mais gostam e celebrem a vida!


Bolo de Cenoura e Pêssego
(receita adaptada do blog Call Me Cupcake)

Ingredientes: (para 8-10 pessoas)
{para o bolo}
| 150 g de manteiga com sal
| 3 ovos L
| 135 g de açúcar amarelo
| 65 g de açúcar mascavado 
| ¼ c. (chá) de baunilha em pó (usei Vahiné)
| 180 g de farinha s/ fermento
| 2 c. (chá) de fermento em pó
| 1½ c. (chá) de bicarbonato de sódio
| 1 pitada de flor de sal
| 1 c. (chá) de canela em pó
| 250 g de cenoura ralada
| 1 lata pequena (aprox. 420 g) de pêssego em calda
(1/3 do puré de pêssego irá ser usado no recheio)

{recheio e cobertura}
| 3 claras de ovo (aprox. 120 g)
| 150 g de açúcar
| 1 pitada de sal
| 235 g de manteiga à temp. ambiente
| algumas gotas de essência de baunilha
| 1/3 do puré de pêssego
| 3 pêssegos frescos (usei paraguaios)
| 3 c. (sopa) de manteiga
| 3 c. (sopa) de açúcar mascavado
| amoras frescas q.b.

Preparação:
{bolo}
Pré-aqueça o forno a 175ºC.
Unte com manteiga e forre com papel vegetal 2 formas com Ø12 cm (em alternativa poderá usar formas de Ø16 cm ou Ø18 cm, obtendo um bolo mais baixo e mais largo; se pretender um bolo maior duplique a receita).
Derreta a manteiga e reserve, deixando arrefecer à temp. ambiente.
Bata os ovos e o açúcar a uma velocidade média durante 3 minutos, até obter um creme fofo e esbranquiçado.
Junte a manteiga e a baunilha em pó e bata mais um pouco.
À parte misture a farinha peneirada com o fermento, o bicarbonato, a flor de sal e a canela em pó e adicione esta mistura ao preparado anterior. Envolva com uma espátula sem bater demasiado.
Descasque e rale finamente as cenouras. Coloque as metades de pêssego em calda (descarte o líquido da calda) num processador e reduza a puré.
Adicione a cenoura ralada e 2/3 do puré de pêssego (reserve 1/3 para o recheio) à massa e envolva.
Divida a massa pelas 2 formas e leve ao forno durante 40-45 minutos. 
Faça o teste do palito antes de retirar os bolos do forno. 
Retire os bolos e deixe arrefecer dentro das formas durante 20 minutos. Desenforme e deixe arrefecer completamente sobre uma grelha.

{recheio e cobertura - Buttercream}
Aqueça um tacho pequeno com água ao lume. Na taça da batedeira junte as claras, o açúcar e o sal e coloque a taça sobre o tacho, sem que a taça toque directamente na água.
Mexa energicamente com uma vara de arames até o açúcar dissolver por completo, cerca de 3 minutos.
Transfira a taça para a batedeira e comece a bater numa potência média-baixa.
Aumente gradualmente a potência até ao máximo e bata as claras até que fiquem brilhantes e formem picos firmes, cerca de 5-7 minutos.
Antes de juntar a manteiga a taça tem de estar fria ao toque. Use um pano húmido para arrefecer a taça.
Quando a taça estiver fria, ligue a batedeira numa velocidade média e adicione a manteiga aos poucos.
Deixe bater sem parar, por cerca de 10-15 minutos, até obter um creme liso e macio.
Adicione a essência de baunilha e volte a bater para misturar.

{montagem do bolo}
Corte ambos os bolos em duas metades iguais, obtendo um total de quatro camadas.
Espalhe 1 c. (chá) de buttercream no prato ou base onde vai servir o bolo (irá servir de "cola" para a primeira camada).
Coloque uma primeira camada de bolo no prato e espalhe sobre esta uma generosa camada de buttercream, usando uma espátula ou o saco de pasteleiro.
Espalhe sobre o buttercream 2 c. (sopa) do puré de pêssego reservado.
Repita o processo para as restantes camadas de bolo.
Preencha todo o bolo com uma fina camada de buttercream e com uma espátula alise o topo e em volta, até o buttercream ficar uniforme.
Coloque o bolo no frigorífico enquanto prepara os pêssegos caramelizados.

{pêssegos caramelizados}
Corte os pêssegos frescos em pequenas fatias finas.
Aqueça a manteiga numa frigideira anti aderente. Junte o açúcar mascavado e mexa com uma colher de pau até o açúcar derreter.
Adicione as fatias de pêssego e deixe caramelizar durante 2-3 minutos. Deixe arrefecer por completo.
Disponha as fatias de pêssego no topo do bolo juntamente com algumas amoras frescas.

Hambúrguer de Frango e Ras El Hanout em Pão de Beterraba


Com os dias mais quentes a pedirem refeições simples, a tendência por aqui é mesmo descomplicar. Entre saladas e algumas sopas, os grelhados também ganham o seu lugar na minha cozinha. Ainda que o consumo de carne seja cada vez menor cá em casa, dou sempre preferência às carnes brancas e deixo aquelas ocasiões especiais para matar saudades de um bom bife. A maioria das vezes acabo por grelhar um peito de frango ou peru, apenas temperado com sumo de limão, sal e pimenta, que sirvo acompanhado de uma salada. Mas como gosto de ser criativo, para evitar cair numa rotina e estar a comer sempre as mesmas coisas, nada melhor que um hambúrguer caseiro para trazer sabores diferentes para a mesa numa refeição simples e que agrada a todos. Assim, aqueles dois peitos de frango que eu iria acabar por grelhar foram transformados em quatro deliciosos hambúrgueres enriquecidos com ervas de Provence e Ras El Hanout, uma mistura de especiarias cujos cheiros e sabor nos remetem para terras do norte de África. Uma combinação de sabores perfeita!


Claro que um hambúrguer para ser diferente tem de ter um toque especial. E foi quando a Hellmann's Portugal me desafiou para elaborar uma receita, na qual usasse a verdadeira maionese Hellmann's, que eu me lembrei de criar estes hambúrgueres. Sem dúvida alguma que a maionese foi o molho perfeito para acompanhar esta refeição. Não quis usar um pão de hambúrguer normal e optei antes por um pão diferente, de beterraba, feito em casa e com mais sabor. Provei o pão de beterraba no jantar que assinalou o encerramento da 2ª edição da Rota dos Hambúrgueres Hellmann's, uma deliciosa degustação de hambúrgueres gourmet, com a assinatura do chef José Bengaló, que se realizou no acolhedor restaurante Café com Calma, em Lisboa. Adorei o sabor do pão de beterraba e fiquei com imensa vontade de o reproduzir em casa. Esta era a oportunidade perfeita e o resultado não poderia ser melhor. Um pão fofo, com um sabor suave a beterraba e que combina na perfeição com as especiarias que perfumam estes hambúrgueres. Sem dúvida, uma refeição a repetir!


Hambúrguer de Frango e Ras El Hanout

Ingredientes: (para 4 hambúrgures)
| 400 g de peito de frango picado
| 1 cebola pequena
| 1 ovo
| 1 c. (chá) de Ras El Hanout
| 1 c. (sopa) de Ervas de Provence
| 3 c. (sopa) de pão ralado
| sal q.b.
| pimenta acabada de moer q.b
| folhas de rúcula q.b.
| 1 tomate maduro
| 4 fatias de queijo Flamengo
| maionese Hellmann's®
| 4 pães de beterraba (ver receita abaixo)

Preparação:
Coloque numa taça o frango picado, a cebola também picada, o ovo, o Ras El Hanout, as ervas de Provence e o pão ralado. Mexa energicamente até todos os ingredientes ficarem bem incorporados.
Tempere com sal e pimenta acabada de moer e volte a mexer.
Pincele um grelhador com azeite. Com a ajuda de um aro metálico molde 4 hambúrgueres e leve-os a grelhar cerca de 2 minutos de cada lado.
Abra um pão ao meio e sobre uma das metades faça uma "cama" de folhas de rúcula. 
De seguida coloque uma rodela de tomate, a fatia de queijo, o hambúrguer e sobre este uma c. (sopa) de maionese Hellmann's®.
Tape com a outra metade do pão e repita a operação para os restantes hambúrgueres. 


Pãezinhos de Beterraba

Ingredientes: (para 6 pães de hambúrguer)
| 300 g de farinha de trigo s/ fermento
| 1 beterraba média (aprox. 100 g ) *
| 1 saqueta de fermento seco (cerca de 5-6 g)
| 1 c. (chá) de açúcar amarelo
| 100 ml da água de cozedura da beterraba *
½ c. (chá) de sal
| 1½ c. (sopa) de azeite + q.b. para pincelar
| sementes de sésamo preto q.b.

* NOTA: Pode optar por comprar a beterraba já cozida e conservada em frasco. Nesse caso, reserve 100 ml da água de conserva para usar na confecção do pão.

Preparação:
Numa taça coloque a farinha, faça um buraco no centro e reserve.
Num processador de alimentos triture a beterraba até ficar em puré e reserve.
Num recipiente pequeno coloque o fermento, o açúcar e 1 c. (sopa) de água da cozedura da beterraba e mexa. Deixe repousar durante cerca de 10-15 minutos, o tempo suficiente para que o fermento comece a actuar.
Junte esta mistura à farinha e adicione o puré de beterraba, a restante água, o sal e o azeite. Comece a mexer com uma colher de pau ou, se preferir, com as mãos.
Mexa e amasse durante alguns minutos até obter uma massa elástica e esta despegar das paredes da taça (se achar necessário junte mais um pouco de farinha).
Forme uma bola com a massa e deixe repousar num local seco durante 1½ horas.
Com as mãos, molde 6 bolinhas e disponha-as num tabuleiro de forno forrado com papel vegetal.
Deixe repousar por mais 30 minutos.
Pincele as bolas com azeite e polvilhe com sementes de sésamo preto.
Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 25 minutos.