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Pão de Ló


A Páscoa é feita de tradições e de norte a sul do país esta é uma quadra festiva que junta as famílias à volta da mesa. É tempo de reencontros e de celebração e desde as entradas, passando pelos pratos principais, típicos e tradicionais de cada região e sem esquecer a sobremesa, onde reinam os folares, cada família apresenta com orgulho as receitas que vão sendo transmitidas de geração em geração, num legado único de lugar para lugar. Mais ou menos tradicionais, cada receita é única e especial. Assim como são especiais os encontros entre afilhados e padrinhos. Cada região apresenta o seu folar, uns salgados outros doces, uns mais requintados outros mais simples, mas todos deliciosos e tornando a nossa gastronomia muito especial e única. 


Outra iguaria que não pode faltar nas mesas de Páscoa por este país fora é o pão-de-ló. Também ele difere de região para região. Há quem os prefira mais fofos, há quem goste deles mais molhadinhos, mas também há quem goste deles mais secos. Cada família terá a sua versão e no que toca a tradições, os gostos não se discutem.

Hoje trago uma versão mais molhadinha do pão-de-ló. Uma receita simples de preparar, com apenas três ingredientes, mas que é óptima demais para não ser feita e partilhada. Tem um defeito, desaparece num instante. E se é de tradição que falamos, também a Nacional faz parte dela e não pode faltar nas receitas desta quadra. Nesta receita usei a Farinha Extra Fina Nacional, uma farinha preparada com trigos selecionados e que agora se apresenta mais fina, mais branca e mais pura, sendo um ingrediente importante no resultado final da receita, um pão-de-ló com uma textura super fofa e húmida. O melhor mesmo é serem vocês a experimentar e a comprovar o quão boa é esta receita. Passem no site da Nacional, onde encontram muitas mais receitas típicas e tradicionais, óptimas não só para esta quadra mas também para qualquer altura do ano. Uma Páscoa Feliz para todos!






Pão de Ló

Ingredientes:
| 9 gemas
| 2 ovos inteiros
| 150 g de açúcar                                           

Preparação:
1 . Comece por ligar o forno nos 200ºC. Forre uma forma redonda lisa (sem buraco) com papel vegetal.

2 . Numa taça, coloque as gemas, os ovos inteiros e o açúcar. Bata a mistura na velocidade máxima durante 10 a 15 minutos, até obter um creme volumoso, fofo e de cor esbranquiçada.

3 . Peneire a Farinha Extra Fina Nacional e adicione ao preparado anterior. Com a ajuda de uma vara de arames ou espátula de silicone, envolva a farinha na massa, com movimentos cuidadosos, até que esta fique completamente integrada. 

4 . Deite a massa na forma, coloque-a no forno e leve a cozer por 9 minutos.

5 . Retire do forno e deixe arrefecer completamente antes de retirar o pão-de-ló da forma. 







Patas de Veado


Patas de Veado. Um bolo da minha infância que me traz memórias tão felizes. Faz-me lembrar das minhas idas ao mercado da vila, em criança, todos os domingos. Ia com a minha mãe fazer as compras da semana e ela fazia sempre questão de me comprar um bolo. Ou quase sempre. Isto porque, mesmo em frente da banca dos bolos, vivia a Dona Alda, a minha professora da primária. Pessoa muito estimada por todos, foi ela quem me ensinou a ler e a escrever. Era muito comum vê-la à janela, a falar com as pessoas e observando quem passava. Assim que ela nos via, fazia questão de descer para nos cumprimentar e oferecia-me sempre um bolo. Dava-me a escolher perante uma montra irresistível de doces tentações de doçaria tradicional portuguesa. Os meus preferidos eram o Bolo de Arroz, a Bola de Berlim e, quase sempre, a Pata de Veado. Adorava lambuzar-me com aquele bolo fofo cuja combinação de doce de ovos e coco despertava os meus sentidos. Eram domingos muito felizes, aqueles!


À medida que nos vamos tornando adultos, também os nossos gostos e preferências vão mudando e a verdade é que não me lembrava da última vez que tinha comido uma Pata de Veado. Até que vi a receita no novo livro "Uma Pastelaria em Casa" da La Dolce Rita. Quando olhei para as imagens os meus olhos brilharam e eu quis voltar ao mercado da terra, ao conforto do abraço da minha professora. Hoje certamente, passados mais de trinta anos, ela não me reconheceria, mas eu ficaria muito feliz em voltar a abraçá-la. 

A receita ficou à espera de ser feita, mas entretanto aparecem a Susana e a Lia com o seu desafio mensal, o Sweet World Challenge. E este foi o empurrão que eu precisava para fazer as Patas de Veado. Não procurei outra receita e segui à letra a da Rita. À partida pode parecer uma receita cheia de técnica e um pouco difícil, mas desenganem-se. A receita é simples, apenas requer alguma perícia na parte final, em que temos de barrar com creme de ovos e forrar com coco ralado. O resultado é de facto compensador e excelente. Não são as Patas de Veado da minha infância, mais húmidas, talvez pela adição de uma calda de açúcar. Mas pessoalmente, acho que a calda não vem acrescentar muito à receita, que por si só já resulta num bolo fofo e húmido. Se forem mais gulosos, fiquem à vontade para duplicar a receita do creme de ovos. A receita rende cerca de 6 Patas de Veado, mas eu cortei a torta em 4, de forma a que as patas ficassem mais altas, tornando-as mais expressivas. 


Patas de Veado
(receita adaptada do livro "Uma Pastelaria em Casa" de Rita Nascimento)

Ingredientes: (receita para 4-6 patas)
{para a massa} (Pão-de-Ló)
| 3 ovos
| 100 g de açúcar
| 75 g de farinha tipo 55 s/fermento
| açúcar p/ polvilhar

{para o recheio e cobertura} (Creme de Ovos)
| 150 g de açúcar
| 75 ml de água
| 5 gemas
| 5 g de amido de milho
| 10 g de manteiga
| coco ralado qb
| canela em pó qb

Preparação:
1 . Comece por preparar o creme de ovos, colocando o açúcar e a água num tacho, mexendo até o açúcar dissolver. Leve ao lume, parando de mexer, até atingir o ponto de pérola (107ºC). Retire do lume e deixe arrefecer por 5 a 10 minutos.

2 . À parte bata as gemas e misture o amido, incorporando bem para não ficar com grumos. Depois de a calda ter arrefecido, junte-a em fio às gemas. Verta toda a mistura de novo para o tacho e leve a engrossar em lume muito brando, mexendo sempre até que o doce espesse. Deixe o creme ferver por 1-2 minutos, sem para de mexer.

3 . Retire do lume e incorpore a manteiga fria, cortada em pedaços, continuando a mexer para que derreta e se integre bem no creme. Conserve no frigorífico com película aderente colada à superfície, até estar completamente frio.

4 . Bata os ovos com o açúcar por cerca de 5 minutos, até ficarem esbranquiçados e com o triplo do volume.

5 . Misture com delicadeza e em duas ou três adições a farinha peneirada. Envolva suavemente, de maneira que a farinha fique toda incorporada, mas sem o preparado perder volume.

6 . Unte e forre com papel vegetal, untando-o também ligeiramente, um tabuleiro com cerca de 30 x 40 cm. Verta a massa para o tabuleiro numa camada fina e leve ao forno preaquecido a 180ºC durante 7-10 minutos, até a massa ficar dourada.

7 . Desenforme para cima de um pano limpo polvilhado com açúcar. Remova cuidadosamente o papel vegetal e enrole de imediato em forma de torta, com o pano por dentro como se fosse o recheio, e deixe arrefecer (ao ser enrolada quente, a torta não vai rachar, e poderá depois ser recheada já fria sem o risco de o creme derreter).

8 . Depois de fria, desenrole a torta do pano. Espalhe creme numa camada uniforme, deixando uma margem de 1-2 cm na ponta menos enrolada, para que o creme não transborde, e enrole de novo como antes, aconchegando bem. Corte a torta em 3 pedaços e de novo a meio de cada pedaço, na diagonal, obtendo 6 patas de veado (eu cortei de forma a obter 4 patas).

9 . Barre ligeiramente as laterais e o topo com mais creme de ovos. Passe as laterais por coco ralado e no topo trace a meio um risco de canela. Conserve no frigorífico.

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Mini Pães de Ló de Chocolate


E estamos em 2016! Faço uma restrospectiva do ano que finda e só posso estar agradecido por ter sido um bom ano. Ainda que tenha passado num piscar de olhos (passa sempre) não me consigo lembrar de momentos menos bons e só por isso foi um bom ano. Senti que aprendi mais ainda, realizei-me e enriqueci enquanto ser humano, conheci pessoas maravilhosas, fui de férias para um local encantador, estive com a minha família, voltei ao ginásio, cozinhei pratos deliciosos, conheci e experimentei novos ingredientes na cozinha. Por tudo isto só posso estar muito agradecido. Agradecido por estar vivo, agradecido por saber que as pessoas que mais amo estão bem, por ter a oportunidade de continuar a fazer o que gosto, por ver o sol brilhar todos os dias, mesmo naqueles dias cinzentos e aborrecidos e por conseguir trabalhar todos os dias, por uma vida mais feliz.

Sei que é altura de fazer balanços, de traçar objectivos, de estabelecer metas, mas entro neste novo ano sem qualquer tipo de resolução. Quero abraçar este novo ciclo com esperança. Acreditar mais. Acreditar num mundo melhor, acreditar que o ser humano tem a capacidade de construir um mundo melhor. Um mundo de paz, sem guerras, com justiça e honestidade. Viverei cada dia intensamente, continuarei a fazer o que mais gosto e dando sempre o melhor de mim. Farei o possível para estar mais tempo junto das pessoas que gosto e vou trabalhar todos os dias para ter muitos momentos felizes. Peço saúde para mim e para os meus. Quero agradecer ainda mais a quem me faz bem, abraçar muito quem me faz feliz e sorrir. Sorrir sempre. Não me levar demasiado a sério e acreditar sempre. Amar mais, procurar a felicidade nas pequenas coisas, nos pequenos momentos. E sobretudo agradecer todos os dias pela oportunidade de estar vivo.

A vontade de aprender mais e melhor estará presente todos os dias. E estou muito grato a todos os leitores do blog, pois com eles aprendo imenso e é por eles que eu gosto de partilhar as minhas aventuras na cozinha. Ver uma receita minha ser reproduzida é motivo para sorrir e ficar feliz. A felicidade só é verdadeira quando partilhada. E é neste lema da partilha que se baseia a nova edição de mais um desafio no grupo "Dia Um...Na Cozinha", neste primeiro dia do ano. Escolher uma única receita natalícia de um membro do grupo e reproduzi-la aqui, não só é um acto difícil como é de grande responsabilidade. A escolha não foi fácil no meio de tanta partilha deliciosa neste grupo. Mas quando começamos a eliminar hipóteses e colocamos aquele ingrediente ao qual não resistimos nas nossas prioridades, aí tudo fica mais fácil. Uma receita de Pão de Ló de Chocolate que a minha querida amiga Maria João publicou no seu Ponto de Rebuçado Receitas e que há muito tempo esperava por ser feita, foi a minha escolha. Optei por fazer mini pães de ló, resistindo à tentação de não parar de comer uma fatia atrás da outra. Pura ilusão! Um mini pão de ló nunca será suficiente para satisfazer a gula dos verdadeiros amantes de chocolate. Deliciem-se e tenham um 2016 cheio de momentos felizes!


Mini Pães-de-Ló de Chocolate
(receita adaptada do blogue Ponto de Rebuçado Receitas)

Ingredientes: (para 1 pão de ló grande ou 10 mini pães de ló)
| 8 ovos + 2 gemas
| 180 g de açúcar
| 100 g de farinha de trigo
| 1 c. (chá) de fermento em pó
| 2 c. (sopa) de cacau em pó (usei Pantagruel)
| açúcar em pó para polvilhar

| arandos com açúcar para servir (opcional)
(1 mão cheia de arandos / ¼ chávena de água / ¼ de chávena de açúcar / açúcar q.b. para polvilhar)
Leve um tachinho ao lume com a água e o açúcar. Deixe ferver um pouco até formar uma calda. Deixe que arrefeça um pouco e mergulhe os arandos na calda.
Escorra os arandos e coloque-os a secar durante 1 hora sobre uma folha de papel vegetal ou numa rede. Passe os arandos por açúcar e deixe secar novamente até à hora de servir.

Preparação Tradicional:
Pré-aqueça o forno a 200ºC.
Forre as formas com papel vegetal (ou em alternativa forre 1 forma grande sem buraco) e reserve.
Numa taça, junte os ovos e as gemas com o açúcar e bata durante cerca de 10 minutos até obter um creme fofo e esbranquiçado.
À parte, misture a farinha com o fermento e o cacau em pó e envolva suavemente e com movimentos circulares no creme de ovo, usando uma espátula ou um fouet.
Verta a massa nas formas reservadas e leve ao forno durante 9-10 minutos (se usar uma forma grande deixe cozer durante 11 minutos).
Retire do forno e deixe arrefecer completamente. Sirva polvilhado com açúcar em pó e com arandos.

Preparação Thermomix - Bimby:
Pré-aqueça o forno a 200ºC.
Forre as formas com papel vegetal (ou em alternativa forre 1 forma grande sem buraco) e reserve.
Coloque a borboleta no copo, junte os ovos e as gemas e o açúcar e programe (9min/37ºC/vel3,5).
Adicione a farinha, o fermento e o cacau em pó e programe (20seg/vel3).
Verta a massa nas formas reservadas e leve ao forno durante 9-10 minutos (se usar uma forma grande deixe cozer durante 11 minutos).
Retire do forno e deixe arrefecer completamente. Sirva polvilhado com açúcar em pó e com arandos.

Mini Pães-de-Ló

A Páscoa sem o Pão-de-Ló não é a mesma coisa. Optei por fazer pequenos Pães-de-Ló que ficaram com uma textura muito fofa e bastante saborosa. Ideais para acompanhar um chá ou mesmo ao pequeno almoço.


Ingredientes:

2 ovos inteiros
6 gemas
100g de açúcar
50g de farinha tipo 55
papel vegetal (cortado em seis quadrados de 20x20cm)

Pré-aquecer o forno a 200ºC

Método Tradicional:
Numa taça, bater os ovos inteiros e as gemas com o açúcar, durante cerca de 10 minutos, até obter um creme de cor esbranquiçada e textura fofa.
Adicionar a farinha, peneirando-a, ao mesmo tempo que a envolve no creme, com uma colher, em movimentos lentos e circulares.

Método Thermomix-Bimby:
No copo, coloque a borboleta e de seguida, os ovos inteiros, as gemas e o açúcar. Bata (8min/vel4).
Adicione a farinha, peneirando-a para dentro do copo e envolvendo-a suavemente no creme com o auxílio da espátula, em movimentos circulares.

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Forre uma forma de 6 muffins com papel vegetal e verta o creme.
Leve ao forno entre 7 a 10 minutos, consoante queira o Pão-de-Ló mais ou menos húmido no interior. Aconselho a colocar a forma na prateleira inferior do forno, para não queimar.