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Doce de Abóbora e Fava Tonka


Havia sempre doce ou compota lá em casa. Fosse verão ou fosse inverno, esta era a melhor forma de preservar as frutas colhidas em abundância nas árvores do quintal. E na arte de fazer doces e compotas a minha mãe era conhecedora. Eu adorava todo aquele ritual, o deixar cozinhar lentamente a fruta em açúcar, o cheiro no ar a canela e a fruta acabada de cozer. No final, a minha mãe deixava-me lamber gulosamente os paus de canela e eu adorava provar o doce ainda quente no pão. No verão nunca faltava o doce de tomate, dos meus preferidos. Frascos que se acumulavam e que eram depois distribuídos pela família e amigos.
Mas esta era a minha altura do ano preferida, no que diz respeito às frutas para fazer compotas. É o tempo dos marmelos, taças de marmelada que eram feitas e guardadas para durarem uns bons meses. E eu deliciava-me cortando quadrados de marmelada que comia com bolachas Maria. E nada era desperdiçado, das cascas e dos caroços dos marmelos fazia-se geleia. E depois haviam as abóboras, dúzias de abóboras que se amontoavam no chão. E tinha sempre que haver doce. Doce de abóbora e canela, a minha especiaria preferida. 
O quintal ainda lá está, as frutas já não são tão abundantes, pois o meu pai, para além de não necessitar de tantas quantidades, também já não tem a força de outrora. E eu sempre que posso faço doce ou compota para recordar esses tempos de infância e claro, para poder também preservar as frutas e o seu sabor por muito mais tempo. Há sempre um frasco de compota cá em casa à espera de ser aberto.
Hoje, dia 1 de Novembro, é também dia de mais uma publicação no grupo "Dia Um... Na Cozinha". Para esta edição eram pedidos doces e compotas. Um tema que, confesso me deu prazer porque é algo que faço muitas vezes. Como gosto de fazer compotas aproveitando a fruta de cada estação, a escolha não foi difícil e claro, a abóbora foi a eleita. Decidi inovar e usar a fava tonka, também conhecida como cumaru, que não é mais que uma semente proveniente de uma árvore nativa da Amazónia. São umas sementes adocicadas e muito aromáticas, fazendo lembrar bastante o aroma da baunilha. Aliás há quem substitua a baunilha nas sobremesas por fava tonka. O resultado não podia ser mais aromático e delicioso, um doce de tons laranja e textura cremosa que quase apetece comer à colherada.


Ingredientes: 
| 1 kg de abóbora
| 500 g de açúcar gelificante
| 1 c. (café) de canela em pó
| 2 paus de canela
| 1 semente de fava tonka

Método Tradicional:
Descasque a abóbora, cote-a em cubos e coloque num tacho.
Adicione o açúcar, a canela em pó, os paus de canela e a semente de fava tonka finamente ralada.
Leve ao lume a cozer cerca de 30-40 minutos, até que a abóbora fique completamente cozida.
Retire o tacho do lume, remova os paus de canela e com uma varinha mágica triture a abóbora até esta atingir a consistência desejada.
Leve novamente ao lume a engrossar, até atingir a textura desejada, tendo o cuidado de mexer com uma colher de pau, para que o doce não pegue no fundo do tacho.
Distribua o doce em frascos de vidro esterilizados.

Método Thermomix - Bimby:
Coloque no copo 500 g da abóbora e triture (15seg/vel6).
Coloque a restante abóbora no copo e triture grosseiramente (5seg/vel5).
Adicione o açúcar, a canela em pó, os paus de canela e a semente de fava tonka ralada finamente.
Programe (30min/100ºC/vel1) e substitua o copo de medida pelo cesto para evitar salpicos.
Retire os paus de canela e veja se o doce tem a textura desejada. Se não, triture mais uns segundos na vel 5.
Programe (6min/Varoma/vel1) e coloque novamente o cesto sobre a tampa para evitar salpicos.
Distribua o doce em frascos de vidro esterilizados.