Páginas

Mousse de Limão e Mascarpone


Para haver progresso tem de haver mudança. E esta mudança no blog, que agora aparece de "cara lavada" é algo que eu já queria fazer há algum tempo. Não foi de repente, foi uma mudança lenta e que aos poucos tem vindo a ser pensada. Não está totalmente perfeita mas está do meu agrado e acho que para melhor. Aliás só faria sentido mudar se fosse para melhor. Pois uma mudança deverá ir ao encontro da transformação de algo, neste caso o blog, e deverá fazer-nos sentir felizes. O blog é algo que já faz parte da minha vida, é a ele que dedico grande parte do meu tempo livre, é para ele e por ele que eu adoro estar na cozinha a experimentar novas receitas, a testar novos sabores, provar novos ingredientes, que posteriormente venho aqui partilhar com quem me lê. O feedback de todo este trabalho e partilha quase diária tem sido muito satisfatório e a cada dia que passa são cada vez mais as pessoas que se juntam aqui neste cantinho ou na página no Facebook. Tudo isso são motivos que me fazem sentir bem, mas ainda assim tento sempre melhorar qualquer coisa e gosto de superar os meus objectivos. Daí que, volvidos mais de dois anos desde que criei o blog, decidi agora dar-lhe uma "nova cara" que espero, também seja do vosso agrado. Para além do logotipo, que está diferente, no vosso lado direito podem agora fazer a pesquisa de receitas por ingrediente no separador "Pesquisa de Receitas". O menu de páginas também se encontra melhorado e com um acesso mais friendly.


E para celebrar este momento, trago uma receita bem fresca e deliciosa, uma Mousse de Limão e Mascarpone. Adoro o limão e tenho sempre um pote cheio deles na minha cozinha durante todo o ano. É mesmo daquelas coisas que nunca podem faltar cá em casa. Tenho a sorte de tanto o meu pai como o meu sogro terem limoeiros no quintal, sempre carregados de limões, que chegam para o ano inteiro. Nesta altura do ano é quando eu lhes dou mais uso. Dois ou três limões e em menos de nada tenho uma limonada bem fresca, aromatizada com framboesas, melancia ou amoras, pronta a beber e a matar a sede. Mas nas sobremesas também gosto de usar o limão, o sabor cítrico e fresco que ele confere aos bolos, aos semifrios e aos chessecakes é algo que me delicia. Mas no caso desta mousse, o limão eleva-a a um outro nível. É uma mousse bastante leve, ligeiramente adoçada e com o sabor refrescante do limão que sabe tão bem nestes dias mais quentes. Uma sobremesa que se torna viciante e que em apenas uma hora está pronta a servir aos convidados. Deliciem-se!


Mousse de Limão e Mascarpone
(receita adaptada da revista Saveurs Spécial Desserts 2014)

Ingredientes:
| 1 limão biológico
| 3 ovos, tamanho L
| 100 g de açúcar em pó
| 250 g de mascarpone
| 1 pitada de sal
| raspas de chocolate branco (usei Pantagruel)
| framboesas q.b.
| folhas de manjericão

Preparação Tradicional:
Separe as gemas de ovo das claras.
Bata as gemas juntamente com o açúcar até obter um creme fofo e esbranquiçado.
Incorpore o mascarpone, a raspa e o sumo de limão e continue a bater.
À parte bata as claras em castelo bem firme, com uma pitada de sal.
Com uma espátula, incorpore aos poucos e delicadamente as claras no creme de mascarpone.
Distribua a mousse por taças ou copos e leve a refrigerar, até pelo menos 1 hora antes de servir.
Sirva, decorado a gosto com raspas de chocolate branco, framboesas e folhas de manjericão.

Preparação Thermomix - Bimby:
Separe as gemas de ovo das claras.
Coloque a borboleta no copo, junte as gemas e o açúcar e programe (1min/vel3).
Junte o mascarpone, a raspa e o sumo de limão e programe (20seg/vel3). Retire e reserve.
No copo bem limpo e seco coloque a borboleta, junte as claras e programe (3min/vel3,5).
Com a espátula, incorpore aos poucos e delicadamente as claras no creme de mascarpone.
Distribua a mousse por taças ou copos e leve a refrigerar, até pelo menos 1 hora antes de servir.
Sirva, decorado a gosto com raspas de chocolate branco, framboesas e folhas de manjericão.

Tarte de Mirtilos e Ruibarbo


Das receitas que me deixam sempre com um sorriso nos lábios. Adoro tartes e bolos com fruta e apesar de me saberem bem o ano inteiro, é nesta altura que me dá mais gozo fazê-las. A fruta amadurece nas árvores, deixando-as bem carregadas e pintalgadas de cor e antes que comece a cair por estar demasiado madura, encontram-se alternativas para escoar a quantidade que este ano parece ter duplicado. Dá gozo ir ao quintal do meu pai ou do meu sogro e ver como os pessegueiros, as pereiras e as ameixoeiras estão carregados de fruta bem doce e saborosa. Para não falar das melancias e das meloas que se vão espalhando pelo chão e que aumentam de tamanho a olhos vistos. Esta estação é rica na variedade de frutos que oferece e para evitar que amadureçam demasiado rápido, os bolos e as tartes são uma boa alternativa para usar a fruta que se acumula.
Na minha varanda tenho um pequeno mirtilo que plantei num vaso há cerca de dois anos. No ano passado cresceu um pouco mas não deu sequer uma flor. Durante o inverno ficou despido de folhas e quase parecia morto, eliminando qualquer réstia de esperança em relação à sua sobrevivência. Mas com a primavera, ele despertou como que acordado de um coma profundo, começou a ficar coberto de viçosas folhas e mais tarde brindou-nos com uma quantidade enorme de pequenas mas sedutoras flores brancas que anunciavam a primavera. Fiquei feliz, pela primeira vez o meu mirtilo iria dar frutos. Talvez eu não tenha cuidado dele da melhor forma, pois as poucos essas flores foram secando, caíram e frutos nem vê-los. Até que um dia, no meio das folhas, descubro uma única e pequena bola verde, um fruto sobrevivente que venceu a força do tempo e vingou por entre a ramagem verde. Um único fruto, um único mirtilo foi tudo o que aquela planta que julguei já estar morta, teve para para me oferecer.


São dos meus frutos preferidos, os vermelhos. E sempre que posso, gosto de os comprar e ter em casa para saborear. Seja numa taça com iogurte e cereais ao pequeno almoço, seja ao natural ou numa deliciosa tarte com massa doce e crocante como esta que aqui apresento. E se aqui as ameixas e os pêssegos poderiam funcionar bem, combinados com o ruibarbo, desta vez foi uma promoção que encontrei de mirtilos que me levou a comprar em maior quantidade e a querer experimentar esta combinação de sabores, cuja receita é da autoria da Megan Voigt que já seguia no Instagram e que é autora do blog Hint of Vanilla. É impossível descrever por palavras o perfume que ficou na minha cozinha enquanto aquele suco de cores vibrantes libertado pelos mirtilos, borbulhava dentro da massa, enquanto esta cozia no forno. Mas mesmo bom é poder saborear uma fatia desta pequena maravilha, ainda morna e acompanhada de uma bola de gelado. Toda a combinação é deliciosa, desde o doce crocante da massa entrelaçada e a acidez adocicada dos frutos perfumados pelo limão. Uma tarte que respira verão e que convida a saborear a estação de sorriso estampado no rosto.


Tarte de Mirtilos e Ruibarbo
 (receita adaptada do blog Hint of Vanilla)

Ingredientes:
{para a massa}
| 300 g de farinha de trigo
| 100 g de farinha de espelta integral
| 2 c. (sopa) de açúcar amarelo
| 1 pitada de sal
| 200 g de margarina fria
| 100 g de água fria

{para o recheio}
| 500 g de mirtilos
| 250 g de ruibarbo
| 1 c. (sopa) de sumo de limão
| 120 g de açúcar mascavado
| 3 c. (sopa) de farinha Maizena
| raspa de 1/2 limão
| 1 pitada de sal
| 30 g de margarina
| leite q.b. para pincelar
| açúcar mascavado para polvilhar

Preparação Tradicional:
Numa taça misture as farinhas com o açúcar e o sal.
Adicione a margarina fria, cortada em pedaços e com os dedos comece a amassar até que a margarina incorpore na farinha. Aos poucos vá adicionando a água fria, ao mesmo tempo que amassa com as mãos e até que a massa despegue dos dedos e todos os ingredientes estejam bem ligados.
Forme uma bola com a massa, envolva em película aderente e leve ao frio durante pelo menos 2 horas.
Pré-aqueça o forno a 180ºC.
Retire 1/3 da massa e reserve. Com o rolo da massa estenda a restante massa numa superfície ligeiramente enfarinhada, formado um disco maior que o diâmetro da tarteira que vai usar.
Transfira a massa para a tarteira e pressione ligeiramente com os dedos, contra o fundo e as laterais.
Prepare o recheio, misturando numa taça os mirtilos, o ruibarbo e o sumo de limão. À parte misture o açúcar mascavado, a farinha Maizena, a raspa de limão e o sal. Polvilhe esta mistura sobre os frutos e envolva bem todos os ingredientes. Verta esta mistura sobre a massa e cubra com a margarina em pequenos pedaços.
Com uma faca corte o excesso de massa em volta da forma, deixando-a à face das laterais.
Estenda a restante massa numa superfície enfarinhada e corte tiras com cerca de 2 cm de largura.
Disponha as tiras sobre o recheio, entrelaçando-as e com os dedos faça pressão por forma a que as tiras fiquem unidas à massa da base.
Pincele com leite e polvilhe com açúcar mascavado.
Leve ao forno cerca de 50 minutos ou até que a massa comece a dourar.
Retire e deixe arrefecer um pouco e se não conseguir resistir, sirva ainda morno e delicie-se.

Preparação Thermomix - Bimby:
Coloque no copo todos os ingredientes para a massa e programe (15seg/vel6).
Forme uma bola com a massa, envolva em película aderente e leve ao frio durante pelo menos 2 horas.
Pré-aqueça o forno a 180ºC.
Retire 1/3 da massa e reserve. Com o rolo da massa estenda a restante massa numa superfície ligeiramente enfarinhada, formado um disco maior que o diâmetro da tarteira que vai usar.
Transfira a massa para a tarteira e pressione ligeiramente com os dedos, contra o fundo e as laterais.
Prepare o recheio, misturando numa taça os mirtilos, o ruibarbo e o sumo de limão. À parte misture o açúcar mascavado, a farinha Maizena, a raspa de limão e o sal. Polvilhe esta mistura sobre os frutos e envolva bem todos os ingredientes.
Verta a mistura sobre a massa e cubra com a margarina em pequenos pedaços.
Com uma faca corte o excesso de massa em volta da forma, deixando-a à face das laterais.
Estenda a restante massa numa superfície enfarinhada e corte tiras com cerca de 2 cm de largura.
Disponha as tiras sobre o recheio, entrelaçando-as e com os dedos faça pressão por forma a que as tiras fiquem unidas à massa da base.
Pincele com leite e polvilhe com açúcar mascavado.
Leve ao forno cerca de 50 minutos ou até que a massa comece a dourar.
Retire e deixe arrefecer um pouco e se não conseguir resistir, sirva ainda morno e delicie-se.

Faux Gras || Foie Gras Vegetariano


Petiscar. É das coisas que mais gosto de fazer, principalmente nesta altura do ano em que os dias são longos e as tardes soalheiras e quentes convidam a ir a uma esplanada tomar uma bebida bem fresca e petiscar umas iguarias. Ou simplesmente convidam a sentar confortavelmente na varanda ou a estender uma manta no jardim e partilhar alguns momentos de descontração entre amigos e família, enquanto se provam uma e outra iguaria. Petiscos rimam com verão, sabem a sol, a sal e a férias e apesar destas ainda estarem longe, todos os momentos devem ser aproveitados, porque afinal o verão está mesmo aí e este clima maravilhoso tem de ser aproveitado ao máximo. E se há coisa em que nós, portugueses, somos peritos, é em petiscos. De norte a sul do país, seja qual for a localidade, facilmente encontramos um estabelecimento que serve sempre uns belos petiscos. Desde os tão procurados caracóis, passando pelos deliciosos queijos e enchidos, as moelinhas ou os pipis, a salada de polvo que eu adoro, as orelhinhas de porco ou os pezinhos de coentrada, e claro, nunca esquecendo as ameijoas à bulhão pato ou os irresistíveis camarões do rio. Tudo é delicioso e perfeito para acompanhar uma cerveja gelada ou um vinho branco bem fresco enquanto se trocam dois dedos de conversa e se matam saudades dos amigos e familiares emigrantes, que por esta altura estão de regresso ao nosso país.


Quando falamos de petiscos, referimos-nos a pequenas iguarias, normalmente ingredientes regionais que são trabalhados de forma prática e prontos a abrir o apetite de qualquer comensal. A receita de hoje é um verdadeiro petisco e apesar de não ser de origem nacional é entre os franceses que é muito apreciado. Já todos certamente ouviram falar de foie gras, ainda que nem toda a gente tenha certamente provado. Esta iguaria faz parte do património gastronómico francês, ainda que tenha tido origem no Egipto à muitos milhares de anos. Muitos adoram-no mas outros detestam-no, talvez devido à forma controversa como ainda é produzido. Traduzindo do francês, foie gras significa "fígado gordo" e não é mais do que o fígado de patos ou gansos que são alimentados de forma industrial, várias vezes ao dia, por forma a obter num curto espaço de tempo um fígado dez vezes maior que o tamanho de um fígado normal que posteriormente é cozinhado ou usado em paté.

Mas fiquem descansados, pois esta receita é tudo menos o verdadeiro paté de foie gras, é antes uma alternativa bem deliciosa, com um sabor bem vincado e característico, totalmente vegetariana e daí se chamar faux gras (um falso foie gras). A receita é de Rebecca Leffler mas foi no blog do Chef David Lebovitz que eu a encontrei e logo quis experimentar. É basicamente um paté de lentilhas e cogumelos frescos que juntamente com as ervas aromáticas vão conferir notas muito semelhantes ao verdadeiro paté de foie gras. Acaba por ser uma alternativa bem mais saudável que o original e em termos de sabor, asseguro-vos que não fica mesmo nada atrás. Aconselho toda a gente a experimentar e a dar a provar aos amigos e família lá em casa. Tentem que adivinhem os ingredientes que compõem este paté e tenho a certeza que dificilmente irão acertar à primeira, pois nem tudo o que parece, realmente é. Acompanhem, se possível, com este delicioso vinho branco, bem fresco, e saboreiem esta iguaria num momento de descontração com aqueles que mais gostam.


Faux Gras || Paté de Lentilhas e Cogumelos
(receita adaptada do Chef David Lebovitz)

Ingredientes:
| 100 g de cogumelos Paris
| 60 ml de azeite extra virgem
| 1 cebola roxa pequena
| 2 dentes de alho
| 160 g de lentilhas castanhas *
| 140 g de nozes (ou nozes pecan)
| 2 c. (sopa) de sumo de limão
| 1 c. (sopa) de molho de soja
| 2 c. (sopa) de alecrim fresco picado
| 2 c. (sopa) de tomilho fresco picado
| 2 c. (sopa) de salva fresca picada
| 2 c. (sopa) de Cognac ou Brandy (opcional) 
| 1 c. (sopa) de açúcar amarelo
| 1 pitada de pimenta de cayenne
| sal e pimenta q.b.

* As 160 g de lentilhas, depois de cozidas aumentam de volume e de peso, pelo que irá obter cerca de 400 g depois de escorridas, o necessário para a receita. Siga as instruções da embalagem para a cozedura.

Preparação Tradicional:
Limpe os cogumelos com um pincel ou lave-os em água corrente e corte-os em lâminas.
Coloque o azeite numa caçarola em lume brando, adicione a cebola e o alho picados e salteie durante 5-6 minutos, até que a cebola fique translúcida.
Junte os cogumelos e cozinhe por 5 a 8 minutos, o tempo suficiente para que eles fiquem macios.
Retire do lume e reserve.
Num processador de alimentos, coloque as lentilhas cozidas, as nozes, o sumo de limão, o molho de soja, o alecrim, o tomilho, a salva, o cognac (se optar por usar), o açúcar amarelo e a pimenta de cayenne. Triture durante alguns minutos até obter um puré.
Adicione os cogumelos reservados e triture novamente até atingir a consistência de paté.
Prove e rectifique os temperos, adicionando sal e pimenta e/ou sumo de limão ou  molho de soja.
Coloque o paté em frascos esterilizados e leve ao frigorífico algumas horas para ganhar firmeza.
Sirva fresco com pão de sementes ou tostas, podendo ser acompanhado com um chutney de cebola roxa.

Preparação Thermomix - Bimby:
Limpe os cogumelos com um pincel ou lave-os em água corrente e corte-os em lâminas.
Coloque a cebola e os dentes de alho no copo e programe (5seg/vel5).
Adicione o azeite e programe (6min/100ºC/vel1).
Junte os cogumelos e programe (8min/100ºC/vel1).
Adicione as lentilhas cozidas e os restantes ingredientes com excepção da sal e da pimenta e programe (1min/vel5). Se achar necessário baixe o paté que fica nas paredes do copo.
Prove e rectifique os temperos, adicionando sal e pimenta e/ou sumo de limão ou  molho de soja.
Se achar necessário programe mais alguns segundos na vel 5 até atingir a consistência desejada.
Coloque o paté em frascos esterilizados e leve ao frigorífico algumas horas para ganhar firmeza.
Sirva fresco com pão de sementes ou tostas, podendo ser acompanhado com um chutney de cebola roxa.

Gelado de Pinhão e Doce de Ovos


Ainda não havia publicado aqui uma receita de gelado este verão. São a minha perdição! Cá em casa adoramos gelados e eles estão sempre presentes no meu congelador, quer seja verão quer seja inverno. Mas é nesta altura que eles me sabem melhor e que gosto de provar novos sabores e fazer novas receitas. Lembro-me de gostar de gelados desde sempre, as minhas memórias levam-me até às idas à praia em criança, onde tinha de haver sempre um gelado para refrescar, era assim como que o ponto alto do meu dia de praia. Lambuzava-me a comer um Perna de Pau ou um Fizz Limão, os meus preferidos de sempre. E também quando ia às feiras com os meus pais e onde existia sempre um vendedor ambulante com uma pequena banca de gelados e que vendia gelados de cone com apenas três sabores, morango, nata e chocolate. O de morango era sempre o meu preferido. Aliás, os gelados de fruta sempre foram os meus preferidos e são aqueles que talvez faço mais vezes, assim como os sorvetes e os batidos. Acabam por ser mais saudáveis, menos calóricos e têm a vantagem de podermos usar sempre a fruta da estação, quando se encontra no auge do seu sabor.


Mas confesso que também aprecio (e muito!) aqueles gelados mais pecaminosos, decadentes, aqueles que nos deixam a salivar só de imaginar o sabor. Aqueles gelados que temos obrigatoriamente de experimentar pelo uma vez na vida. Com natas e ovos e sabores mais arrojados, acompanhados de um delicioso crumble ou uns simples biscoitos esmagados, fazem as minhas delícias. É o caso deste gelado de pinhão e doce de ovos cuja receita vem do blog Ponto de Rebuçado Receitas, da minha querida amiga Maria João. Quando a João me deu a provar pela primeira vez este gelado feito por ela eu fiquei sem palavras para o descrever, pois acho que acabava de provar um dos melhores gelados de sempre. E ainda por cima a receita é tão simples. Com uma textura cremosa, o sabor rico do caramelo e doce de ovos e a leveza que as claras lhe conferem, fazem deste um gelado épico. Soube-me a pouco e não descansei enquanto não o reproduzi cá em casa. É daqueles gelados que dão que falar, que merecem ser partilhados e não se esquecem, daqueles gelados que arrancam sorrisos e despertam emoções. Se poderem experimentem, prometo que não se vão arrepender!


Gelado de Pinhão e Doce de Ovos
(receita adaptada do blog Ponto de Rebuçado Receitas)

Ingredientes:
{para o doce de ovos}
| 4 gemas de ovos caseiros
| 125g de açúcar granulado
| 75 ml de água

{para o gelado}
| 400 ml de natas frescas
| 4 c. (sopa) de açúcar
| 4 claras de ovos caseiros
|  1/2 chávena de pinhões
| 1/2 chávena de caramelo

Preparação Tradicional:
Prepare o doce de ovos, levando um tacho pequeno ao lume com a água e o açúcar até atingir o ponto pérola. Retire e deixe arrefecer um pouco.
Bata as gemas e junte um pouco da calda em fio, para amornar, misturando bem. 
Junte tudo no tacho e leve novamente ao lume baixo até engrossar, mexendo sempre.
Retire do lume e deixe arrefecer.
Bata as natas juntamente com o açúcar até ficarem em chantilly.
Bata as claras em castelo bem firme e envolva nas natas.
Junte cerca de metade do caramelo e os pinhões e misture.
Deite num recipiente barrado com o restante caramelo e deite o doce de ovos por cima, passando com uma colher para misturar ligeiramente.
Leve ao congelador até solidificar.
Na hora de servir, encha um recipiente com água e mergulhe o gelado por uns segundos.
Desenforme e sinta-se no paraíso!

Preparação Thermomix - Bimby:
Prepare o doce de ovos, colocando no copo a água, o açúcar e programe (20min/Varoma/vel1).
Deixe a calda arrefecer até aos 60ºC, coloque as gemas numa taça e, em fio fino, deite um pouco sobre as gemas e misture bem. Coloque a borboleta e programe (5min/100ºC/vel1)
Com a máquina em funcionamento, junte as gemas em fio através do bocal da tampa e deixe acabar o tempo (se achar necessário programe mais dois ou três minutos com as mesmas temperatura e velocidade). Retire rapidamente do copo para uma taça e deixe arrefecer.
Coloque a borboleta e as natas no copo bem limpo e seco e programe (2min/vel3,5) (tenha atenção para que não passem a manteiga).
Coloque a borboleta e as claras no copo bem limpo e programe (5min/vel3,5).
Envolva as claras nas natas, junte cerca de metade do caramelo e os pinhões e envolva com a espátula.
Verta o preparado num recipiente barrado com o restante caramelo e deite o doce de ovos por cima, passando com uma colher para misturar ligeiramente. Leve ao congelador até solidificar.
Na hora de servir, encha um recipiente com água e mergulhe o gelado por uns segundos.
Desenforme e sinta-se no paraíso!

Sanduíches de Queijo de Cabra, Agrião e Mirtilos Caramelizados


Acordar devagar. Sem pressas e sem despertador. Deixarmos-nos a preguiçar alguns minutos enquanto nos vamos habituando à luz natural dos raios de sol que batem nos orifícios dos estores, como que a dizer que o sol já vai alto e a manhã já vai a meio. Não há horários para cumprir, não existem compromissos nem obrigações. Apenas um dia inteiro pela frente e a certeza de que não apetece fazer absolutamente nada. Preguiçar é a palavra de ordem. Deixemos-nos então invadir pela ideia de que temos todo o tempo do mundo. Ligamos a aparelhagem, colocamos uma música ambiente e estendemos-nos no sofá, enquanto ligamos o computador e vemos os títulos das notícias do dia. A seguir vem a melhor parte. Deslocamos-nos à cozinha e abrimos o frigorífico em busca de qualquer coisa para comer. Uma inspecção rápida à despensa. Ingredientes frescos e saborosos precisam-se. E com eles preparamos lentamente um saboroso e tardio pequeno almoço que se prolonga já pela hora de almoço... um delicioso brunch para saborear devagar e com tempo. Não. Nem todos os dias são assim. Mas podem existir dias assim. Basta querermos abdicar um pouco dos compromissos e da vida rotineira e saborear o tempo devagar. Um fim-de-semana, um dia feriado ou mesmo nas férias que muitos gozam por esta altura, de vez em quando sabe bem não fazer absolutamente nada, ter um dia inteirinho pela frente só para nós, sem ligar nenhuma à agenda, ao telemóvel, aos horários com os quais nos debatemos no nosso dia-a-dia. Faz bem ao corpo e à alma. E basta meia dúzia de ingredientes frescos, sazonais e com qualidade para em pouco tempo termos a mesa posta, e tudo pronto a ser saboreado entre conversas amenas e sorrisos largos. Seja a dois ou com a família reunida, o importante é partilhar o momento, aproveitar cada segundo sem preocupações e saborear os melhores alimentos acabados de confecionar.


E foi a pensar num dia assim que criei esta simples, mas deliciosa receita, cuja inspiração vem deste livro maravilhoso da Cláudia Villax. Um livro que cativa qualquer um, cheio de imagens lindas e receitas simples e deliciosas. Daquelas receitas que apetece fazer e partilhar. Na receita original, as sanduíches são grelhadas, bastando pincelar a parte de cima do pão com manteiga e levar uns minutos ao forno a 180ºC. Saltei essa parte e simplifiquei um pouco, mas tenho a certeza que a Cláudia me perdoará. Para quem não conhece, a Cláudia é a cara por detrás do projecto Azeitona Verde, cujo site convido a visitarem aqui. Criou o azeite biológico extra virgem com o mesmo nome, que é feito a partir de azeitonas colhidas de oliveiras milenares numa quinta perto de Marvão. É também autora deste premiado livro, com o qual fiquei a conhecer melhor o seu trabalho.  Para além disso, podemos-nos sempre inspirar nas deliciosas receitas da Cláudia, sempre elaboradas com os melhores e mais frescos alimentos vindos directamente da horta e também nas suas dicas sempre tão úteis.


Com esta receita participo em mais uma edição do grupo "Dia Um... Na Cozinha" cujo tema é as sandes, sandubas ou sanduíches. Nada mais apropriado para esta altura do ano que pede refeições mais leves e práticas mas ainda assim cheias de sabor. São muito versáteis e ideais para saborear devagar, num brunch. São também perfeitas para apresentar numa festa, e por serem práticas são uma óptima opção para levar para a praia ou para transportar na marmita e degustar no local de trabalho.


Sanduíches de Queijo de Cabra, Agrião e Mirtilos Caramelizados
(receita adaptada do livro "Brunch" de Cláudia S. Villax)

Ingredientes: (para 2 pessoas)
| 2 pães de cereais ou integrais
| 1 queijo de cabra fresco em rolo
| 1/2 chávena de mirtilos frescos (ou congelados)
| 1 c. (sobremesa) de vinagre balsâmico
| 1 c (sopa) bem cheia de açúcar amarelo
| folhas de agrião q.b.

Preparação do Molho:
Leve a lume médio uma panela pequena onde se colocaram os mirtilos, o vinagre e o açúcar, vá mexendo e deixe reduzir durante uns minutos.
Escorra o excesso de líquido que se formou e reserve o mirtilos caramelizados.

Preparação das Sanduíches:
Corte o queijo de cabra em rodelas e reserve.
Corte os pães ao meio no sentido longitudinal. Sobre a metade de baixo coloque uma "cama" de folhas de agrião e sobre ela disponha as rodelas de queijo.
Coloque sobre o queijo os mirtilos caramelizados e termine com a metade de cima do pão.
(Se preferir, pincele a parte de cima do pão com manteiga derretida e leve a grelhar no forno, a 180ºC).
Sirva as sanduíches acompanhadas de uma salada de agrião ou rúcula com tomate cherry e mirtilos frescos.